Guru iogue é acusado de assediar seus alunos em SP


Ex-professora de ioga denuncia práticas pouco convencionais no centro onde houve intoxicação coletiva. Cristóvão de Oliveira, criador do lugar, já deu aulas para Fernanda Lima, Luciana Gimenez e Pedro Paulo DinizA professora de ioga que fez um curso com Cristóvão de Oliveira diz que demorou para se dar conta de que não era uma situação normal. "Eu pensava que um homem com a sabedoria dele nunca ia fazer esse tipo de coisa." Foi nas sessões de massagem que ela começou a suspeitar de algo errado. "Durante as sessões, ele tocava minhas partes íntimas. Eu me culpava por achar que estava pensando besteira. Mas com o tempo fui percebendo que outras mulheres tinham a mesma queixa."

DA ÉPOCA

Essa mulher, que pediu para não ser identificada por medo de represálias, relatou a ÉPOCA em detalhes as práticas que afirma ter testemunhado no centro do iogue Cristóvão, de 43 anos. O centro funciona na própria casa de Cristóvão, em Mairiporã, na serra da Cantareira, no norte da região metropolitana de São Paulo. Na semana passada, o lugar chegou ao noticiário quando vários de seus freqüentadores foram hospitalizados. Haviam tomado muita água e um chá diarréico que supostamente ia "purificá-los". O caso chamou a atenção para o centro e levou parentes de clientes e ex-integrantes da clínica a denunciar práticas irregulares. O advogado da cliente ouvida por ÉPOCA anunciou que vai entrar na Justiça na próxima semana contra Cristóvão.

Procurados por ÉPOCA ao longo desta semana, Cristóvão e sua advogada não se manifestaram.

Os clientes que sofreram a intoxicação estavam no centro desde o dia 31 de outubro para um retiro de um mês com o iogue. Essa era a primeira vez que Cristóvão reunia praticantes de ioga na sua casa por tanto tempo. Durante esse período, os praticantes deveriam dormir por volta das 17 horas e acordar à meia-noite. Depois, meditariam até às 4h da manhã. Fariam ioga até às seis e depois iriam trabalhar. O primeiro exercício do retiro foi o de uma limpeza intestinal. Os clientes tomaram dezenas de litros de água e chá de sene (diarréico) com a intenção de se purificar. Cerca de 1 ou 2 horas depois, começaram a passar mal. Sentiam cólicas, diarréia, desidratação e até confusão mental. Dois praticantes, que não passaram mal, decidiram levar os doentes para o hospital mais próximo, no centro de Mairiporã. Dois foram internados na UTI. Um deles teve de ser entubado e passou cinco dias em coma. O próprio Cristóvão teve de ser medicado.

Para participar do retiro durante o mês todo, os iogues pagaram R$ 3 mil. A internação aconteceu na sexta-feira à noite, mas os familiares só foram avisados do ocorrido na segunda-feira, perto da hora do almoço. Assim que melhoraram, os praticantes voltaram para a casa de Cristóvão para continuar com a vivência.

Ao beber uma quantidade de água muito acima do normal – os médicos recomendam a ingestão de dois litros diários – a quantidade de sódio no corpo diminui. A baixa quantidade de mineral pode provocar tremores, confusão e convulsões.

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